O Sete que Procurava um Lugar
O comboio parou numa estação pequenina, rodeada de pinheiros, e não voltou a andar.
— Vamos ficar parados um bocadinho — anunciou uma voz calma pelo altifalante.
A Beatriz encostou a testa à janela e suspirou. Lá fora havia um banco vazio, um gato a dormir e mais nada para ver.
— Um bocadinho é quanto tempo? — perguntou.
O avô Joaquim sorriu e tirou da mochila uma caixa azul, de metal, que fez clic quando ele a abriu.
Lá dentro havia fichas claras com números pintados a preto, vermelho, azul e cor de laranja, e suportes pretos para as segurar de pé.
— Um bocadinho é o tempo de um jogo — disse o avô. — Este vem connosco para onde formos.
O Duarte, o irmão mais velho, abriu a mesinha entre os bancos. Cada um tirou as suas fichas e arrumou-as no suporte, com os números virados para si.
— Lembram-se? — perguntou o avô. — Podem fazer escadas, com números seguidos, ou trios, com três fichas do mesmo número. Ganha quem ficar primeiro sem fichas.
O Duarte pousou logo uma escada vermelha: 4, 5, 6. Depois o avô pousou um trio de noves, cada um da sua cor.
A Beatriz olhou para o suporte. Tinha um 2, um 3 e um 4, todos azuis. Pousou-os com cuidado na mesa.
— Uma escada! — disse, muito orgulhosa.
Ronda após ronda, o suporte foi ficando mais leve. Os números saíam, juntavam-se a outros e formavam caminhos novos em cima da mesinha.
Até que só restou uma ficha à frente da Beatriz: um 7 vermelho.
Procurou outro 7. Não havia. Procurou um 6 e um 8. Também não.
— Este sete está sozinho — disse, de nariz franzido. — Não tem lugar em lado nenhum.
Lá fora, o gato acordou, espreguiçou-se e mudou de banco. O comboio continuava parado.
A Beatriz cruzou os braços. Apetecia-lhe fechar a caixa e voltar a olhar pela janela.
O avô não lhe deu a resposta. Apontou só para a mesa.
— Às vezes, o lugar não está no nosso suporte. Está no que já foi construído.
A Beatriz inclinou-se sobre a mesinha. Viu o trio de noves do avô. Viu a sua escada azul. E viu, mesmo ao pé da janela, a escada vermelha do Duarte.
Contou baixinho, com o dedo a saltar de ficha em ficha:
— Quatro, cinco, seis... sete!
Pegou no 7 vermelho e encostou-o à ponta da escada do irmão. Os números seguiam certinhos, como degraus.
O suporte da Beatriz ficou vazio.
— Acabei! — exclamou, e logo tapou a boca, porque estavam num comboio.
O Duarte riu-se.
— A minha escada ficou maior por tua causa.
— E o teu sete deixou de estar sozinho — acrescentou o avô.
Nesse momento, ouviu-se um apito comprido e o comboio deu um pequeno solavanco. Os pinheiros começaram a deslizar devagar pela janela.
A Beatriz olhou para a mesa cheia de escadas e trios.
— Já? Mas agora queria jogar outra vez!
O avô juntou as fichas, guardou tudo na caixa azul e fechou a tampa. Clic.
— Jogamos quando chegarmos — disse. — Ou no próximo sítio onde tivermos de esperar.
A Beatriz pousou a caixa no colo e, pela primeira vez naquela viagem, desejou que o comboio parasse só mais um bocadinho.
3 ideias de brincadeiras
A ficha sozinha. Escolham uma ficha ao acaso e procurem juntos onde pode entrar: numa escada de números seguidos ou num trio com o mesmo número.
Partida da espera. Levem o jogo numa viagem ou para um sítio onde seja preciso esperar e façam uma partida curta, como a Beatriz no comboio parado.
Escadas em voz alta. Antes de pousar uma escada na mesa, a criança diz os números do mais pequeno para o maior, para confirmar que seguem certinhos como degraus.
Produto em destaque
O Jogo Rummikub de Viagem Caixa Metálica é um jogo de números em que se fazem escadas e trios até ficar sem fichas. O formato de viagem, numa caixa metálica, permite levar a partida para onde a família estiver, tal como fez o avô da Beatriz.